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Os Tiranos:
Tudo que tenho, de Ângelo e Ricardo Marques,
João Sampaio e Silvestre Araújo

 

19/10/2011 16:35:30
CAMBOATÃ FARRAPO
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Escuro, enorme, ornamental na tarde.
Plantado neste plaino, entre coxilhas,
é um velame da nau contra o horizonte
no mar alto dos campos.

E é linda a história da árvore solita.

Dois moços farrapos, cortando quebradas,
chegaram à estância, no alto,
para saber notícias.
E um deles,
o que levava o coração cantando nas guerrilhas,
olhava nos olhos a neta bonita,
cevando os amargos,
junto à avozinha murcha
com mapas no rosto e lonjuras na voz.

E já os legais se vieram...

Começou a caçada, a guerrilha, o fratricídio
implacável, feroz.
E o mais jovem farrapo,
o que levava o coração cantando nas guerrilhas,
sentiu no lance trágico
o rodomão boleado.

Tiniram, retiniram muitos ferros brancos!
E uma vez, entre tantas, a tricolor bravia
estendida no chão:
- Ouros de acaso!
- Verdes de pampa!
E os colorados vivos,
do sangue em jorro das artérias jovens!

Recaiu o silêncio,
misterioso e tenso,
da campanha em guerra.

E na seguinte manhã, clara, cedo,
a neta bonita de orvalhados olhos
e a avozinha murcha,
com jeito e cuidado, o acamaram na cova
feita ali mesmo onde caíra.
E por dar sombra ao peleador sangrado,
lançaram na cova,
bem junto da cruz, 
à raiz selvagem deste camboatã.

Hoje, nas manhãs esplendentes
de setembro e de outubro,
o vegetal renova!
Ondeia maretas de poncho nas ramagens.
E com os galhos mais robustos,
ensaia gestos de quem rasga a armada,
para – de todo o laço – um sobrelombo, lindo,
no horizonte arisco que reluz ao largo.

Nos crepúsculos lentos dos verões de seca,
ele vai se apagando ao longe, devagar e alto,
com a silhueta enorme
de um Folião ou de um Quebra!
De um Pedro Canga, um Guedes!
De um Juca Tigre ou de um Dom Segundo Sombra!
Ou de um Manuel Pedroso - em frente ao Negro Adão!

Ah! Mas nas tardes trigueiras dos gelados invernos,
emponchado em neblina, aos tombos com o Minuano,
delira em duelo contra as ventanias;
cada galho é uma espada contra o vento!

- Ele está "obecedado" com a alma do farrapo, aquele!

O que só, contra muitos,
no desespero calmo, para morrer como homem,
sentiu, no lance trágico,
o redomão boleado...

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  Autor: Aureliano de Figueiredo Pinto
Poesia enviada Por: João da Cruz - Caxias do Sul / RS
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