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Os Bertussi:
O Tropeiro

 

25/10/2011 16:42:40
TROPILHAS DE AGOSTO
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Hai um quê de mistério
nestes ventos de agosto;
chegam de sopetão,
encrespando as flexilhas,
e se aquerenciam
no verde da pampa,
como um véu de mortalha
cobrindo as coxilhas...

Reviram folhagens de velhos umbus,
libertando fantasmas
de antigas prisões,
que se atiram, de em pelo,
no lombo do vento,
com uivos de agouros
assombrando os grotões...

Sim, hai um quê de nostalgia
nestes ventos...
Mil causos de ronda,
mil ponchos molhados,
mil berros de gado,
mil almas que cruzam
o vau da saudade,
agarradas nas crinas
destes ventos gelados!

Me disse um patrício
que o gado que morre
é ração para os piquetes
de almas caudilhas,
que o vento apartou
da Tropa Divina
pra deixar de posteiros,
guardando as coxilhas...

Hai um pouco de certo,
hai um pouco de lenda;
mas, acima de tudo,
hai os ventos
que me dobram o lombo
num pealo sinistro,
mais duro que as mágoas
que trago nos tentos...

Arre! Hai o que matutar...
Por que será que em agosto
a garoa é tão fina,
que corta-me o rosto
e me apaga o palheiro,
zombando dos cortes
num carinho gelado,
qual beijos sem gosto...

Chomico!!! Já sei o que querem
estes ventos matreiros,
açoitando impiedosos
os cantos do oitão
e alargando, ainda mais,
as frestas do rancho,
querendo apagar
o meu fogo de chão...

Mas lhes peço: não levem
a quincha já gasta,
que nesta invernia
me serve de abrigo...
E, se não for pedir muito,
me deixem o cusco,
que há mais de dez anos
tropeia comigo!

Podem levar,
da manada que tenho,
a mais gorda rês
que existir no potreiro.
E da graxa amarela,
da ponta do peito,
ofereçam holocausto
aos antigos guerreiros...

E digam lá que o velho...
o velho vai ficar mais um pouco,
esperando criar
outra ruga no rosto;
e quem sabe, para o ano,
numa noite de geada,
ele se junte à manada
das tropilhas de agosto!

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  Autor: Ari pinheiro
Poesia enviada Por: Fabrício Vargas - Alegrete / RS
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