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Leopoldo Rassier:
Pilchas, de Luiz Coronel e Airton Pimentel

 

10/11/2011 14:52:52
SÓ DE FLOR DE PITANGUEIRA
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Era primavera,
apesar de que a cronologia
anunciasse outra estação.
Era primavera, sim...
A agitação dos pássaros,
o ipê amarelo em flor e
límpido azul do céu
me davam esta convicção.
Impossível de não ser...

Mesmo que distante,
era possível perceber
a vibração do sangue.
Um fogo em flor,
fazendo estremecer um coração
tomado pela ternura,
pela poesia de teus olhos,
pela graça, pela geografia
do teu corpo de garça;
pandorga de vida ao vento,
que o tempo já não desfaz,
tendo o pensamento embalado
pela harmonia de teu silêncio,
que é a mais bela
sinfonia de amor e paz.

Antes de ser, era primavera,
apesar de que houvesse
apenas um passageiro
e não houvesse passagem
para além dos olhos...
Era primavera, sim.
Mesmo que o trem do tempo
ainda tentasse, em vão,
permanecer parado, estacionado
na velha estação
que, ao mesmo tempo,
era o coração
da cidadezinha do interior.

Havia um enigma
no vidro de meus olhos;
do sul de minha alma
vinha um perfume suave,
trazendo consigo
uma energia azul em névoa,
aquela energia
que vem de ti e eleva,
tornando mais leve
o ar que respiro,
e a vida mais bela.

Tudo isso deveria estar
escrito numa estrela
ou, quem sabe,
nas entrelinhas do vento;
e, por isso, deveria
ter sido assim,
mesmo que o inverno
não tenha chegado ao fim
e eu tivesse
que me contentar em ver-te,
apenas, através do brilho
daquela estrela,
que é o ponto de intersecção
de nossos olhos.

Era primavera.
Era tempo de por terra nova,
terra de mato
sobre as velhas raízes;
tempo de trocar a terra
das samambaias verdes,
as saias que não dão flor,
mas que dançam alegres
quando estás por perto.

Era o melhor tempo
de se lançar semente
e tempo de amar
o que fora lançado,
mesmo que precisasse
deixar uma lágrima cair
para descobrir
no vidro dos olhos
a transparência
de um grande amor.

E o mais importante
é que, antes de ser,
já era primavera;
e era possível
aspirar o perfume
de uma pequena flor,
que se abria no interior.

Era primavera, sim,
e ninguém me convenceria
do contrário.
Não importa que houvesse
apenas um passageiro
à espera de alguém
na velha estação,
que, ao mesmo tempo,
era o coração
da cidadezinha do interior.

Havia algo diferente
na minha mente e no ar...
Era algo tão sublime!
Tal era a emoção, que
naquele final de tarde,
anterior à primavera,
até aquela pitangueira
do fundo do quintal
ficou faceira:
os olhos, cor de pitanga,
miçangas de luz no olhar,
se vestiu de noiva
pra te esperar...

E foi assim que...
numa noite de luar
alguém chegou meio sem jeito.
E quase sem notar
tocou este sininho
que há dentro do meu peito,
anunciando uma nova estação.
E foi assim...
que a mais longa espera
se fez primavera...
E foi assim
que o mais longo silêncio
se fez cançao de amor...
E foi assim,
antes de ser,
primavera, faceira,
que se fez
este romance de amor:
só de flor,
só de flor de pitangueira...

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  Autor: Julio César Paim
Poesia enviada Por: Graziele Zanata - Santa Maria / RS
  Observações:

Esclarecimento Tradicionalista importante: a presente poesia, como todas as demais que não apresentam o vocabulário regionalista gaúcho do RS, não é Poesia Gaúcha e, portanto, não deve ser declamada nos ambientes tradicionalistas ou nos Concursos de Prendas do MTG Brasileiro.


 
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