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Grupo Renascença:
De Chão Batido, de Martin Agnoleto,
João A. Pretto e Pedro Neves

 

06/12/2011 14:22:54
TROPEIRISMO
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Da nossa abundância de gado bovino,
que alçados povoavam a serra e o pampa,
surgiu o tropeiro com raça e estampa,
de gado e de mulas ao Brasil Central,
levando ao reponte, bem mais que animal:
a nossa cultura de guasca terrunho
e trazendo a caipira das noites de junho,
incôncio intercâmbio, na luz cultural!

Do pouso das tropas nasceram cidades
das grandes tropeadas dos tempos de antanho,
abriram picadas tocando rebanho
de sonhos distantes na vida judiada,
plantando saudades no rastro da estrada,
na lenta jornada de sinas tropeiras,
levando no lombo das mulas cargueiras
o peso da ausência da mulher amada!

Por desbravadores ficaram na história
seus feitos heróicos de brava existência,
tropeando civismo, cambiando querência,
nos tempos sofridos de mil setecentos,
na xucra intenpérie de geadas, de ventos,
de chuvas guaqueadas, mormaço e de frio,
das águas traiçoeiras das cheias de rio,
de fianbres escassos levados nos tentos.

Se a tropa por diante já vai sonolenta,
é hora do pouso, bem junto à aguada.
O ronda silenta vigia a manada,
com olhos cançados por sob o chapéu;
resguarda das feras que vem a boléu
buscando comida por força de instintos,
do voo agourento de abrutres famintos,
igual cruzes negras que bailan no céu!

E assim estes vates, com Deus por parceiro,
levaram transportes, carinhos, farturas,
deixando saudades em muitas lonjuras,
que o tempo registra na história sagrada
de tauras viciados na dura jornada,
de amor aos rigores do clima e da lida.
Um rude estradeiro não troca de vida,
pois quem foi tropeiro, não quer ser mais nada!

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  Autor: Darci Éverton Dárgen
Poesia enviada Por: Darci Éverton Dárgen - Porto Alegre / RS
  Observações:

Poesia premiada em 1º lugar no Concurso Cultural Literário
organizado pelo Grupo de Nativismo Couro Cru,
em Nova Esperança do Sul-RS, aos 20/09/2011.

Obs. do Bombacha Larga: Em que pese a excelência da premiada obra literária,
artística, do poeta Darci Éverton Dárgen, o Tropeirismo, um Movimento
essencialmente Comercial e não só sul-rio-grandense, a exemplo do Movimento
Comercial Crioulista e suas importações texanas, não pertence à antiga
Tradição Regional do Rio Grande do Sul, originada do Núcleo da Formação Gaúcha
Sul-rio-grandense, fundado na região do Pampa Sul-brasileiro. Se o
Tropeirismo contemplou na sua fase final alguns usos e costumes gaúchos dos
pampeiros do Rio Grande, por outro lado abrigou modos e estilos de vida dos
tropeiros do sudeste brasileiro, usos e costumes estes que alteraram e
desnaturaram a verdadeira, campeira e regional Tradição do Estado e do Povo
Gaúcho do Rio Grande do Sul. A Tropeada da Tradição Gaúcha Brasileira é a das
lidas com o gado, os cavalos, as mulas e as ovelhas nos campos do Pampa
Sul-brasileiro. Assim, o Tropeirismo é de ser classificado como Movimento
Regionalista ou "Nativista". Mas, não sendo da Tradição dos Gaúchos Campeiros
do Pampa do Rio Grande do Sul, enquanto acervo retransmitido espontânea e
continuamente, de pais para filhos, em toda a região pampeira do Estado Sulino,
o Tropeirismo não integra - ou não deveria integrar - assim como
as suas Danças Birivas, os Fins Culturais do Movimento Tradicionalista Gaúcho
Brasileiro.


 
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