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Os Caciques:
Cantando pra Adelar Bertussi

 

28/03/2012 11:03:05
PAISANO
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Um dia chegou de longe,
nunca se soube de donde...
Chapéu quebrado na testa
e um lenço preto ao pescoço,
negro como pensamento
de uma china despeitada.
E, afinal, ficou de peão
da estância de “Seu” Quirino.
 
Primeiro que levantava
ao canto do quero-quero,
pra impessar a lida do dia.
E quando lhe davam um alce,
passava grozeando os cascos
de um rozilito cinzento;
pingo que era um pensamento,
segundo seu comentário.
 
Ninguém sabia seu nome;
talvez, nem mesmo o patrão.
Mas, quando de noitezita
a indiada puxava um banco
em derredor do fogão,
lá, sobe um canto, solito,
um pinho entrava de manso
cantando coisas bonitas,
que faz a gente pensar.
 
E, finalmente, a peonada
se acostumou com o estranho.
Pra todo mundo da estância
era o paisano, no más!
Talvez por seu mutismo,
despertava nas mulheres
caprichos de coração.
 
Porém, muito maneiroso,
fazia sempre segredo,
quando, por necessidade,
precisava do carinho
de alguma china qualquer.
Depois voltava solito,
ao trote do seu rosilho,
levando para os pelegos
mais uma história de amor.
 
E, finalmente, aos pouquitos,
por ser pronto servidor,
foi conquistando a amizade,
desde a peonada ao patrão.
E foi num final de tarde,
que alguém entrou no galpão.
E disse, pros que mateavam,
que uma patrulha do povo
buscava um sorro qualquer.
 
O que se ouviu, de repente,
foi uma voz que, de um canto,
falou por primeira vez
dizendo, apenas: tô aqui!
Foi como se lá do céu
um trovão se desgrudasse,
pregudiando temporal.
 
Logo o galpão foi sitiado,
pela patrulha do povo.
E até parece mentira,
que um indiozito tão quieto
pudesse ser tão ligeiro
na hora do ferro branco.
Quando cessou o reboliço,
os gritos do entreveiro,
jaziam lá, no terreiro,
três índios ensanguentados.
 
E ao longe, na polvadeira,
o rosilito cinzento,
de cascos bem aparados,
debandava proutros Nortes;
talvez, para a banda Oriental.
Levava, apenas, no lombo
um guapo e quieto paisano,
que um dia chegou de longe,
nunca se soube de donde.

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  Autor: Luiz Menezes
Poesia enviada Por: Lucas de Carvalho - Candelária / RS
  Observações:

Obs. do BL: como a cor preta, na Tradição dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul, fora usada tão-somente para os casos de luto, certamente que o referido paisano era ou do Uruguai ou da Argentina.


 
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02/05/2012 22:16:09 José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / DF - Brasil
Prezado Lucas. O sítio Bombacha Larga agradece as tuas honrosas visitas e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho brasileiro. Em resposta, informamos-te que, conforme contribuição anterior da poetisa da terra de Luiz Menezes, Maria Beatriz Magalhães Santos, a poesia Paisano, publicada neste sítio, é da lavra daquele filho de Quaraí-RS. Com as Saudações Tradicionalistas segue o nosso cinchado quebracostelas a esse prezado Vivente!
Sítio: http://www.bombachalarga.org
29/04/2012 20:56:25 Lucas De Carvalho - candelaria / RS - Brasil
Oi! Boa noite. Na primeira vez que ouvi essa poesia, o declamador disse que era de Aparício Silva Rillo. Gostaria de saber, com certeza, se o autor é realmente Luiz Menezes, pois pretendo declamá-la em concurso.
Sítio: *****
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