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10/08/2006 13:58:31
OS LACEIROS DE CANABARRO
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Paulo Moacir Ferreira Bambil

Naquela madrugada sangrenta
Coisa igual eu nunca vi
Na curva do Arroio Porongo
Entre Bagé e Piratini
Lutando nos campos e
Matos com muito barro
Findou-se com polêmica 
“Os Lanceiros de Canabarro”!

Até hoje não sabemos
Do luto toda a verdade
Davi?... não sei porquê?
Tu mandou desarmar
Toda aquela irmandade?
Foram todos pegos de surpresa
Ainda em cima dos pelegos
Heróicos peleadores gaúchos
Aqueles Lanceiros Negros

Por muitos anos Canabarro
Negociava com o Caxias
Entre palácios do Reinado
Também entre as flexilhas
O Imperador não concordava
Com a liberdade dos escravos
Continuariam tendo donos
Todos aqueles infantes bravos

Surgindo então grande dúvida
A qual sangrou o coração
Será que o seu comandante
Lhes pagou com a traição?
Domingos José de Almeida
Chamou Canabarro de traidor
Afirmou que ele e o carrasco
Lucas de Oliveira eram inquisidor

Os negros foram por Chico Pedro
Mortos impiedosamente
Eliminando-se o problema
Dizendo a gíria literalmente
Hoje consultando alfarrábio
Que descreveu esse ato feio
Me pergunto porque Caxias mandou
O Chico atacá-los sem receio?...

Resta agora aos Payadores
Desmanchar este alambrado
Eu fico com a impressão
Que o tal Ofício foi forjado
Sabedor da notícia que Morinque
Estava por ali aproximado
O nobre chefe teria desdenhado
Penso reafirmando novamente
Que Canabarro não foi o culpado
Mas com certeza muito negligente

Desprezando seu inimigo
Sem esquentar a moringa
Falou o Chico Pedro vai embora
Somente com a minha catinga
Indo se refestelar
Com todo o seu rompante
Numa daquelas tendas
Onde mantinha uma amante
Com a alcunha de “Papagaia”
E isso não é lorota
A chinoca era a mulher
Do médico da sua tropa

Passados anos da revolução
Bem como da nossa história
Tenho um herói guardado
Na minha memória
Este Farroupilha que dos
Negros foi um pai
Se bandiando com muitos deles
Lá para os lados do Uruguai
Falo de Antônio Souza Neto
Cuera que de Dom Pedro II
Era considerado desafeto
Por não assinar o tratado de paz
E ainda lhe taxou de “coió”
Indo morar no País vizinho
Departamento de Taguarembó

Carreteando consigo o Souza
Muitos dos seus comandados
A maioria eram Negros
Que lhe serviam de soldados
Uns duzentos nas contas
De sua ocupada cachola
Que foram refazer as vidas 
Na ciudad de Piedra Sola
Pois lá não precisavam 
Viver trocando as charlas
Trancados em senzalas!
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: O poeta e declamador Paulo Moacir Ferreira Bambil é natural de São Nicolau-RS.

 
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12/04/2010 11:00:10 João Carlos Quadros Oliveira - Carazinho / RS - Brasil
Gostei de sua poesia, pois também acho que Canabarro nao dava muita importância para seus comandados. Lutava ao lado dos Farroupilhas talvez porque os legalistas nao o aceitaram. Gen. Neto, este, sim, foi herói; Bento, Teixeira e outros, estes devemos engrandecer!
Sítio: *****
24/09/2008 10:06:52 aderson j. doding - chapecó / SC - Brasil
Excelente declamação! Isso demonstra o amor e o fervor do sangue do Rio Grande, que destaca o orgulho de ser gaúcho no melhor Estado do Sul do Mundo!
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