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Cassiano Mendes:
Alma de Gaúcho

 

14/08/2006 09:56:41
CRIA DE BAGÉ
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Adenir Paz da Silva

Não bebo na orelha dos outros
nem gasto pólvora em chimango. 
Na vida eu mesmo me mando,
não nasci pra virar padre,
não levo ninguém pra compadre        
e nem desaforo pra casa,
sou ferrão de mamangava,
azedo que nem vinagre.

Veneno de cascavel,  
sou liso, agüento o repuxo,
não nego que eu sou gaúcho,
já quebrei muito corincho,
sou arisco que nem capincho,
estou sempre em prontidão,
nunca afrouxei o garrão,
sou valente e não me micho.


Pago com fio de bigode,
não devo vela pra santo,
se caio já me levanto,
se prometo já está feito,
sou xucro, este é o meu jeito,
fui criado abagualado,
meio atirado pros lados,
ser grosso é o meu defeito.

Grudo mais que carrapicho
no lombo de um cavalo,
piguancha é o meu regalo,
na vida esse é meu vício,
peleando sou estrupício,
derrubo mais que cachaça,
dançando sou pé-de-valsa,
gritando faço um comício.

Sou um índio de respeito,
mas logo viro tormento
pra quem me puxar o lenço
sem a minha permissão,
já tiro satisfação
para cobrar o prejuízo,
com tenência e com juízo
ninguém me tira a razão.

Desmamado em tempo certo
cresci lindaço no más,
preocupação pro meus pais
tenteando no campo a eguada,
guri, não temia nada,
o tempo era só meu,
que vida que Deus me deu!,
tranqüilo e dando risada...

Nasci no Rio Grande do Sul,
pêlo duro de fronteira,
comigo não tem tranqueira,
só em Deus eu levo fé,
gosto de chimarrão e mulher,
sou orelhano sem marca,
sou livre, sou um monarca.
Eu sou cria de Bagé!
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  Autor: Adenir Paz da Silva
Poesia enviada Por: Adenir Paz da Silva - Brasília / DF
  Observações: Poesia do LIVRO TRIBUTO AO PAYADOR, de autoria do poeta e declamador Adenir Paz da Silva.

 
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27/05/2011 15:22:29 leonardo rodrigues - bage / RS - Brasil
Mas bá, tchê, que lindo poema!
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