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Os Filhos do Rio Grande:
Laçador

 

20/08/2006 14:53:27
GUASCA SOLITÁRIO
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Paulo Moacir Ferreira Bambil

Recostado num cepo
Olhando a dança do fogo
Fazendo da vida o jogo
Ouvindo ao longe o coreto
Dos sapos no lagoão
Sente apertar o coração
Escutando aquele soneto
Sapecando milho na brasa
Pois o galpão é sua casa
O resto era obsoleto

Lembrou o tempo de piá
Repontando tropas de osso
Com o maragato ao pescoço
Se aprecatava pra domar
Montado num cabo de vassoura
Cola de guanxuma meio moura
Domava o potro sem cansar
Com a melena desgrenhada
Pra dar tom de gineteada
E a si próprio enganar

Nunca constitui família
Só tinha um cusco colera
Uma vaca com terneira
E uma égua douradilha
O vizinho era um sorro
Inimigo de seu cachorro
Graxaim separado da matilha
E por não ter se casado
Vivia deste mundo isolado
Nunca quis essa partilha

Criado como filho avestruz
Sempre passando trabalho
Sem nunca achar atalho
Grande era o peso da cruz
Difícil conseguir o que queria
Por isso não arrumava guria
De resto o destino conduz
Levando para aquele isolamento
Alegrias foram poucos momentos
Cristal puro sem o brilho da luz

Mesmo assim se conservou
Honesto e trabalhador
Sua estância era o corredor
Nobre campo que herdou
Desde que sua mãe morreu
Este é o mundo que conheceu
Porém a todos conquistou
 
Por ser peão pra toda obra
Um renomado domador
Também bom alambrador
E se tempo tinha de sobra
Nos dias de chuva com vento
Lonqueva e trançava os tentos
Guasca ágil que se desdobra
Na condução de uma tropa 
Por estrada ou por grota
Era doutor nessa manobra

Mas uma coisa é muito certa
Da morte ninguém desvia
Depois de atitudes bravias
As feridas ficam abertas
Passados alguns janeiros
Aquele xirú velho costeiro
Foi ficando sem coberta
Trocando mais amiúde
Já não tinha mais saúde
Ligando os sinais de alerta

Já não havia mais nada
Nem o cusco seu amigo
Ainda pra maior castigo
Aquela gente desalmada
Derrubaram com trator
Seu biongo do corredor
Nessa sina desgraçada
Dormiu o eterno sono
Solito nesse abandono
Foi comida pra corvada.
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
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14/01/2012 14:02:31 raquel - slg / RS - Brasil
Muiiito bom... você não mudou nada....
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