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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

18/09/2012 20:10:29
TRAPO SAGRADO
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EU ERA UM PIÁ, UM GURI,
MAS HOJE AINDA ME LEMBRO
DAQUELE VINTE DE SETEMBRO
EM QUE VI MEU PAI PILCHADO:
DE CHAPÉU PRETO, TAPEADO,
BOMBACHA LARGA, BONITA;
E NO PESCOÇO UMA FITA,
UM LENÇO BEM COLORADO!

MINHA MÃE, NAQUELE DIA,
TRAJAVA UM LINDO VESTIDO;
ERA AZUL E BEM COMPRIDO,
COM UNS ENFEITES DE RENDA.
ESTAVA ELA ESTUPENDA,
UMA VERDADEIRA RAINHA;
E A FLOR NOS CABELOS VINHA
A EMBELEZAR MAIS A PRENDA!

LEMBRO VOLTAR O OLHAR
AO MEU VELHO, QUE TIRAVA
DE UM BAÚ ANTIGO E MOSTRAVA
PARA NÓS AQUELE PANO;
MOSTRAVA PRA MIM E PRA O MANO
COM ORGULHO E EMOÇÃO,
DIZENDO, AO ENTREGAR NA MINHA MÃO:
- ESTE É O PAVILHÃO REPUBLICANO!

NAQUELE INSTANTE SENTI,
EMBORA SEM ENTENDER,
MINHA MÃO ESTREMECER
AO TOCAR O VELHO TECIDO.
HOJE ENTENDO O MOTIVO:
UM SANGUE FARRAPO NAS VEIAS
ATROPELA E CORCOVEIA
FRENTE AO ESTANDARTE QUERIDO!

E ALI FIQUEI A OLHAR
PARA AQUELE PANO ANTIGO,
A ADMIRAR O COLORIDO
E O DESENHO ESTAMPADO,
BEM NO CENTRO COLOCADO.
AÍ, ENTÃO, PERGUNTEI:
- MEU PAI, PORQUE O SENHOR, HOJE, VAI
DEIXAR ESTE TRAPO HASTEADO?

PUXANDO UM CEPO, FALOU-ME:
- VENHA CÁ MEU FILHO, SENTA.
VOU DIZER-TE O QUE REPRESENTA
O QUE CHAMASTE DE TRAPO.
ESTE É O ESTANDARTE FARRAPO
QUE FALEI ANTERIORMENTE:
É A BANDEIRA RIO-GRANDENSE,
PORTANTO, UM SAGRADO TRAPO!

E PARA QUE TENHAS NOÇÃO
VOU TE CONTAR A HISTÓRIA,
QUE GUARDARÁS NA MEMÓRIA
POR TODA A TUA EXISTÊNCIA:
HÁ TEMPOS NOSSA QUERÊNCIA
FORA ULTRAJADA, ESQUECIDA,
E MUITO DESASSISTIDA
PELOS NOBRES DA REGÊNCIA.

PORÉM, OS TAURAS DAQUELA ÉPOCA,
OS NOSSOS ANTEPASSADOS,
NÃO ACEITARAM OS DESCASOS
DAQUELE PODER CENTRAL;
TOMARAM NOSSA CAPITAL,
E PORTO ALEGRE TOMADA
VIU BENTO EMPUNHAR A ESPADA
NUMA ENTRADA TRIUNFAL!

ASSIM, BENTO GONÇALVES
DAVA INÍCIO AO MOVIMENTO
NO ANO DE MIL E OITOCENTOS
E TRINTA E CINCO, E FAZIA
NESSA DATA, NESSE MESMO DIA,
ECOAR AOS QUATRO VENTOS
QUE AQUELE TRATAMENTO
O GAÚCHO NÃO QUERIA!

ERA A REVOLUÇÃO FARROUPILHA
QUE ECLODIA EM NOSSO PAMPA;
DE ADAGA, GARRUCHA E LANÇA,
PELEAVAM OS NOSSOS GUAPOS.
E NUMA CARGA, NUM TROPEL DE CASCOS,
SOUZA NETO A BATALHA DO SEIVAL VENCE
E PROCLAMA A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE.
AGORA, ERA A GUERRA DOS FARRAPOS!

NÃO ÉRAMOS MAIS UMA PROVÍNCIA,
MAS UMA NAÇÃO SOBERANA,
QUE DEPOIS COM A REPÚBLICA JULIANA,
UM IMPÉRIO COMBATIA.
E NOSSA BANDEIRA SEMPRE ÍA
ONDE FOSSE O GOVERNO: TREMULAVA
EM PIRATINI, ALEGRETE, CAÇAPAVA,
E À FRENTE DE NOSSA CAVALARIA!

É POR ISSO, FILHO, QUE HOJE
ELEVO A NOSSA BANDEIRA
LÁ EM CIMA, BEM ALTANEIRA,
PARA QUE VEJAM NO BRASÃO
O LEMA DO NOSSO CHÃO,
A LEGENDA QUE ESCREVERAM
OS QUE ATÉ O FIM DEFENDERAM
ESTE TRICOLOR PAVILHÃO!

DEPOIS DE OUVIR NOSSA HISTÓRIA,
CONFESSO ME EMOCIONEI;
UM ABRAÇO EU LHE DEI
E ELE UM ABRAÇO ME DEU.
E QUANDO ME DEVOLVEU
A BANDEIRA, EU QUIS SABER:
- PAI, O QUE O SENHOR PODE VER
NESTAS CORES? ELE RESPONDEU:

- NO VERDE DE MINHA BANDEIRA
VEJO AS CAMPINHAS DO PAGO,
OS CAMPOS CHEIOS DE GADO
NAS ESTÂNCIAS DA FRONTEIRA;
VEJO AS FOLHAS DA VIDEIRA
EMBELEZANDO A SERRA
E A ERVA-MATE DA TERRA
NA VELHA CUIA MATEIRA!

NO VERMELHO VEJO O SANGUE
DOS ALTIVOS COMBATENTES,
HOMENS DE FIBRA, VALENTES,
QUE AO CAÍREM DO CAVALO
BEIJARAM O SOLO SAGRADO
E NELE FICARAM MORTOS,
ADUBANDO COM SEUS CORPOS
O PASTO DO PAMPA AMADO!

E NO AMARELO DO PANO
VEJO A ESTAMPA CRIOULA
DE VASTOS TRIGAIS NA LAVOURA
ONDULADOS PELO MINUANO;
E A RIQUEZA DO PAMPEANO,
QUE NÃO É FEITA DE “COBRES”
MAS, SIM, DAS VIRTUDES NOBRES
DO SIMPLES VIVER CAMPECHANO!

MEU PAI FALOU, EU OUVI
TENTANDO VER O QUE ELE VIA;
FOI EM VÃO, MAS ELE SABIA
QUE EU APRENDERA A LIÇÃO:
HONRAR SEMPRE O PAVILHÃO,
NOSSA HISTÓRIA CONHECER,
CRESCER, VIVER E MORRER
CULTUANDO A TRADIÇÃO!

DESDE ENTÃO, DESDE ESSE DIA,
NA DATA MAIOR DO GAÚCHO,
VISTO ESTE TRAJE SEM LUXO
E ASSIM NO MÁS, BEM PILCHADO,
PONHO LÁ EM CIMA HASTEADO
O VELHO PANO QUE HERDEI
DE QUEM SEMPRE LEMBRAREI,
AO VER O MEU TRAPO SAGRADO!

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  Autor: José Itajaú Oleques Teixeira
Poesia enviada Por: Décio César Schaedler - Natal / RN
  Observações:

* Para declamar no Dia 20 DE SETEMBRO!


 
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29/01/2015 23:20:22 Everli Alvarenga - Maçambará / RS - Brasil
excelente poesia de amor ao nosso pago, retrata a saga, a luta de um povo soberano e muito gaudério e gauchesco, tenho a maior honra de ter nascido no Rio Grande do Sul de saber que tenho o sangue caudilho correndo em minhas veias e ser gaucha de fato, pois sou declamadora com a maior certeza que irei declamar essa linda poesia aonde quer que eu vá!
Sítio: *****
29/09/2011 19:52:08 cidinei ramires de mello - SAPUCAIA DO SUL / RS - Brasil
Belo poema. Abraço.
Sítio: mello
02/01/2009 15:56:14 Rafael Goulart - Formigueiro / RS - Brasil
Excelente poesia de amor a esse nosso pago. Parabéns por cultivar nossa cultura... Ser gaúcho é um sentimento inexplicável... Por maior que tu sejas Rio Grande, caberás sempre dentro de mim...
Sítio: *****
23/12/2008 17:53:39 hildemar Cardoso Moreira - Contenda / PR - Brasil
Sou paranaense, mas gosto do estilo poético gaúcho e elogio o seu tradicionalismo patriótico. Bela poesia, que nos conta uma história de bravos. Parabéns!
Sítio: *****
27/02/2007 11:11:50 jose valmor oliveira - são valério / TO - Brasil
Xiru velho! Poesia muito buena, retrata a saga, a luta de um povo soberano, como é o gaúcho. E nós, que honrramos e respeitamos nossas tradições e nos orgulhamos de nossos antepassados, dessa cultura impar que é a nossa cultura gaúcha, temos a responsabilidade de divulgar a nossa história, pois povo algum tem um passado de glória e o honra como nós!
Sítio: *****
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