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Wilson Paim:
Prenda Minha, de Telmo de Lima Freitas

 

05/09/2006 09:40:29
MEU AVÔ, MEU MESTRE
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Antonio Francisco de Paula

 

Meu avô era um chirú velho,

Um gaudério altaneiro,

Vacariano pêlo duro,

Índio guapo cavaleiro,

As lições que me ensinou

Vou contar em versos manheiros.

 

Trançar laço de doze braças

Com o couro de um mateiro,

A fazer chibata e mango

E todos os avios campeiros,

Tocar gaita e dançar xote

Num fandango galponeiro.

 

A quebrar queixo de potro

E não fugir de entrevero,

Dar pealo de cucharra

E atirar em candeeiro,

A manejar a boleadeira

Num golpe seco e certeiro.

 

Atar o cacho e botar cincerro

Numa guecha madrinheira,

E a passar o barbicacho

Em chinoca namoradeira,

Fazer aposta e gritar buraco

Num domingo de carreira.

 

Com ele também aprendi

Atear um fogo de chão,

Parar rodeio e armar a trempe

E beber canha de borrachão,

Preparar um bom carreteiro,

Cevar e tomar chimarrão.

 

A dar boca pra um tordilho

E atravessar a nado um rio,

Farejar um baile de rancho

Nas pegadas de um bugio,

Arrastar o garrão no assoalho

Até a espora perder o fio.

 

A respeitar morocha casada

E negacear as tafoneiras,

Arrebanhar as desgarradas,

Desquitadas, viúvas e solteiras,

Se enrolar no velho poncho

E sestear com a mais faceira.

 

A tanger boiada grande

E tropilha abagualada,

Proteger-se do minuano

Em noite fria de geada,

Escutar o quero-quero,

A sentinela da estrada.

 

Numa tertúlia ao pé do fogo,

Entreverado com a peonada,

Entre causos e patacoadas

Ensinava o velho tropeiro

A conhecer um bom cavalo

Pelo andar e a cor do pêlo.

 

Ao falar num bagual picasso

Arrepiava seu corpo inteiro

Sentindo o ranger dos bastos

Nos corcóveos do caboteiro,

Entre as patas escondendo o toso

Lá no fundo do potreiro.

 

E no embretar destes versos

Desato dos tentos a rodilha,

E sobre o lombo da coxilha

Dou um tiraço de sovéu,

"In memoriam" do velho tropeiro

Da querência grande do céu!

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  Autor: Antônio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antônio Francisco de Paula - Brasília / DF
  Observações: Poesia do Livro MEU AVÔ, MEU MESTRE - Poesias Gauchescas, do autor.

 
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22/04/2011 14:25:51 jean carlos - itapeva / SP - Brasil
Buenas, gaudério véio. Eis aqui teu sobrinho, que lhe tanto estima, índio véio valente, que dorme de esporas mas não rasga as cobertas. És tu, gaudério véio, poetizador, que faz de tuas recordações poesias que nos faz relembrar o nosso passado e o presente, simplesmente das verdadeiros versos recitados por ti. Que Deus lhe abençõe por toda a vida!
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09/08/2009 22:53:41 Mauro lopes - Curitiba / PR - Brasil
Eia mais que poesia buenacha tche , chorei de saudades do V ovô, sou conhecido como brazilio você sabe... um abraço
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09/08/2009 22:46:52 Graciano Lopes - Itapeva / SP - Brasil
Meu avô falava que era amigo do chicuta , cabloco sem luxo e bom companheiro.Ele dizia que chicuta era valente e respeitado.você conheceu meu avô, contam os mais antigos que ele era bugre legitimo, foi pego a laço na floresta.Um abraço do mano velho.
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06/08/2009 18:07:32 Noel Rosa - Santa Fé o Sul / RS - Brasil
Amigo gaudério bueno criolo campeiro bugre. Afirmo que sou um bugio parente desse tar de Chicuta Tchê; muitas canhas, muitas conversas fiadas, causos campeiros, domações, mulheres e fandangos, tchê! Ai que saudades do mano velho de bombacha larga, guaiaca cheia de patacas, para gastar tudo nos bolichos; gritos e carreradas; pionadas e lidas campeiras. Ai que saudades do vovô, cabloco sem luxo e criado sem epedemias. Essa é a nossa história, porque somos gaúchos de raça e de luta! Viva o nosso Rio Grande! Viva a gauchada!
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06/08/2009 16:45:59 mateus lopes - Erexim / RS - Brasil
Conheci este velho, por nome de Chicuta, tchê! Adomador de burros selvagens, nos pampas sulinos e na divisa com o Uruguai. Enfrentamos muitos entreveiros e desmanchamos muitos fandangos de galpão a tiros de baionetas garrunchas; atiramos em lampiões pendurados nos esteios dos barracos, deixando o povo desesperado. Mas isso era naquele tempo, a mais ou menos 70 anos atrás. Abraço apertadito do mano velho!
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08/01/2009 16:39:19 fabio r. zamecki - campo grande / MS - Brasil
Dá um baita abraço no Nelsão
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07/11/2008 09:35:32 gabi - s.b.do campo / SP - Brasil
Isso é demais!
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02/01/2008 16:11:04 LISANE BOGER BERGAMIN - JUÍNA / MT - Brasil
Boa tarde! Meu pai está completando 70 anos na próxima semana, e como somos de origem gaúcha, gostaría de ter um belo poema para ser recitado na festa. Mas gostaría que fosse usado uma linguagem mais comum e que seja compreendida por todos sem perder o toque regionalista. Espero que possam nos ajudar. Obrigada! Lisane.
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