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Cassiano Mendes:
Alma de Gaúcho

 

15/09/2006 19:20:54
DEFUNTO NO BOCHINCHO
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<img src='/images/Bambil.jpg' >

Paulo Moacir Ferreira Bambil

Buenacho uma barbaridade
Aquele cuera sem doma
Estava numa redoma 
Quando foi interpelado
Num jeitão meio acanhado
Assim sem muita vaidade
Atendeu de pronto o pedido
Melhor não tivesse ouvido
Não ficaria na ansiedade!

Mas tchê! Agora já foi
A guria tinha bolido
Naquele jeito de atrevido
Convidou para uma prosa
Como quem passou a groza
No chifre agudo do boi
E o índio meio confuso
Foi chegando de intruso
Olhou a china e disse “oi”!

Era só o que faltava
Pra começar a confusão
Saltou um taura de facão
E quis rachar pelo meio
Oi-ga-le-tê! Tombo feio
Foi mal la suerte na “tava”
Mas o xirú não foi bem batizado
Não se sentindo acossado
Mediu bem os que lhe bombeava

Deu dois passos pra trás
Enquadrou assim na bucha
Descarregou duas garruchas
E a coisa virou num ranço
Já fedeu a tripa de ganso
De peões, maulas e capataz
O salão virou sangueira
E o gaiteiro na vaneira
Parecia uma santa paz!

Bem; na verdade estava mesmo...
Só tinha uns quatro ou cinco feridos
Coisa pouca, por todos compreendidos
O gaiteiro já viu morte até de mulher
Num bochincho ali em Porto Xavier
Outros tantos morreram a esmo
Sem ao menos estar envolvido na peleia
Curtido de coisa muito mais feia
Presenciou gente buena virar torresmo

O crioulo xucro sem cerimônia
Deu um tiro no candeeiro
Aí sim sujou o pesqueiro!
Se grudou naquela percanta
Ajojou apertando bem a garganta
Como se faz em tambeiro de colônia
Caramba! Foi a maior das gritarias
Se esgualepavam velhas e as gurias
Cheiro de carniça com amônia

O pai da moça descontrolado
Errou a mira no primeiro pulo
Destrambeliado já caiu de culo
E o bochincheiro acalcou a espora
Foi grito de me salve nossa senhora
Era tiro de vários calibres e todo lado.
De vez em quando um rebencaço
Mas bah!; tinha até tiro de laço
Tudo cuera que não foi bem batizado.

E naquele Deus nos acuda
E pra ajudar uma fina garoa
Rasgaram o vestido da Patroa
Vindo à tona seus apetrechos
Os borrachos já malechos
Acharam a coisa macanuda
E naquelas circuntâncias
Passaram a mão nas protuberâncias
Com vergonha a china ficou muda

Veio a filha mais nova
Tentando consertar o estrago
Aparecendo de vez o rabo
Da chinoca do patrão
Querendo esconder com a mão
Ganhando mais uma sova
Daquelas de salgar o lombo
E isso foi um arrombo
Ficando as marcas de prova.

E pra acabar com o assunto
Daquela triste brincadeira
Que durou a madrugada inteira
A gaita parou no meio do vaneirão
Só se ouvia o ponteio do violão
O gaiteiro virou mais um presunto
Não restou testemunha pra relatar
Somente no outro dia pude escutar
Comentários no velório dos defuntos!
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  Autor: Paulo Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: Paulo Bambil é membro executivo da Federação Tradicionalista Gaúcha do Planalto Central/FTG-PC.

 
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