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Baitaca:
A evolução me entristece, de Baitaca

 

09/10/2006 20:39:20
GAITA PRETA
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Antonio Francisco de Paula

 

Eh, gaita preta gaviona,

Ao te ver dependurada,

Emudecida, empoeirada

Enfeitando o galpão da estância,

Num relance brota a lembrança

Na mente deste campeiro

Dos bailes de candeeiro

No rancho da Nhá Constância.

 

Até parece que estou vendo

O Chiru venta rasgada,

Num tordilho cola atada,

Se chegando de ronceiro,

Boleando as pernas no terreiro

E se enveredando pra sala,

Contigo enrolada no pala

Num jeitão muito faceiro.

 

Bombeando pro chinaredo,

Te acariciando nos braços,

Trepado num banco baixo

Que nem galo no poleiro,

Arreganhando o fole inteiro,

Socado na polvadeira,

Debulhando uma vanera

No estilo missioneiro,

 

E o peão gaudério teatino

Arrastando a espora prateada,

Alegre dando risada

Na penumbra do salão,

Galopeando um vanerão

Que nem potro mal domado,

Bailando de pé trocado

Com a filha do patrão. 

 

E lá pelas tantas da noite,

No cair da madrugada,

A bugrada meio estropeada

Se encarreirava pra porta,

Entreverado com os guampas tortas

Num compasso debochado,

Dançando mais encordoado

Do que teta de porca.

 

E o gaiteiro lá num canto,

Que nem santo no oratório,

Entre meio o falatório

Te encolhendo e te espichando,

Estufando o peito e cantando

Com força e desembaraço,

Hoje eu mato no cansaço

Essa tropa de orelhanos.

 

Eh, velha gaita baguala

Do fole todo furado,

Teu teclado desgastado

Revela a marca dos anos,

Dos amores e desenganos

Que trago atados à memória,

Das derrotas e vitórias

No meu passado haragano!

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  Autor: Antônio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antônio Francisco de Paula - Brasília / DF
  Observações: Poesia do Livro MEU AVÔ, MEU MESTRE: Poesias Gauchescas, do autor.

 
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15/07/2010 13:39:48 Pedro Norteli de Lima JR. - Piracicaba / SP - Brasil
Bela poesia, seu Antonio! Gostei muito, pois sou um gaiteiro também. Que Deus conserve essa inspiração em você.
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11/08/2009 09:38:44 Antonio Francisco de Paula - Brasília-DF / DF - Brasil
Buenas, mano velho Mateus! Estou com muitas saudades de ti e de todos os nossos. Fico contente em saber que tu gostou da poesia. Abraço cinchado do mano Toninho; e que Deus lhe proteja sempre!
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09/08/2009 02:21:03 mateus lopes - Itapeva / SP - Brasil
Essa gaita velha realizou muitos fandangos no bairro Pé Chato, sítio de bugres domadores e caçadores. O local dos fandangos era o casarão do Nhô Chico, que ainda existe. Diziam os antigos do bairro que, às vezes, o gaiteiro tinha que esconder a gaita velha, para não ser furada de balas, devido aos tiroteios que saíam no fim do baile, em entreveiros ou por diversão. Um abraço, mano velho! Mateus - professor de História
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13/10/2006 10:36:45 Leonidia Correa Meyer Russomano
Linda a poesia de Antônio Francisco de Paulo! De pronto me remeteu aos fandangos de minha infância na estância de Pedras Altas.
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