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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

20/10/2006 11:58:58
IPÊ AMARELO
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Antonio Francisco de Paula

 

De tronco gigante e copa frondosa,

Galhos possantes e folhas sedosas,

Flores amarelas de perfume estonteante,

Sombra copiosa bem farta e gostosa,

Nativo dos campos, canhadas e serras,

Presente de Deus à mãe natureza,

Revestia o solo com rara nobreza,

Esbanjando beleza lá na minha terra.

 

Foi casa, foi ninho das aves campeiras,

Hospedou João de Barro e o Sabiá Laranjeira,

Bem-te-vi, Tico Tico e a Coruja Agoureira,

Pica-Pau, Canarinho, Quero-Quero e Coleira,

Coberto de flores na primavera,

Repleto de abelhas e de colibris,

De tardezinha e no romper da aurora,

Se ouvia a sonora orquestra empenada

Da passarada em grande harmonia,

Gorgeando em coro lindas sinfonias.

 

Sempre solidários, seus galhos fraternos,

Fosse no inverno, outono ou verão,

Acolhiam em sua copa frondosa e materna

As aves nativas lá do meu rincão.

Cresceu solitário no velho potreiro,

Se tornou centenário bonito e faceiro,

Tinha marcas nos galhos de laço e de faca,

Das carneadas de vacas e estaqueadas de couro.

 

Serviu de pousada pra muitos tropeiros,

Viu muito bagual vender o baixeiro,

E touro valente babar enforcado,

Esticado na corda amarrado em seu seio,

Sestearam em sua sombra grandes cavaleiros.

Heróis, boiadeiros e peões domadores,

Tropas de burros, homens carroceiros,

Carros de bois e velhos carreiros,

Lá na beira da cerca atrás do bolicho

Ouviu rebuliço de gaita e pandeiro.

 

Em trinta e dois, na revolução,

Pelearam em sua volta de armas nas mãos

Os rebeldes golpistas contra os legalistas,

Gaúchos e Paulistas da nossa nação,

Resistiu tiroteios e bombardeios de avião,

Tiros de canhão, carabina e fuzil,

Viu muito soldado tombado no chão

Morrendo baleado em nome do Brasil.

 

Como tudo na vida um dia se acaba,

Ipê Amarelo também se acabou,

A golpes de machado e dentes de serra

Tombou sobre a terra rangindo de dor,

Guardando em seu tronco no cerne encravado,

Lembranças do passado da vida que levou,

Ipê legendário cumpriu seu fadario,

Traçado por Deus, nosso pai redentor.

Saiu do potreiro e entrou para a história,

No livro da memória de um índio trovador!

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  Autor: Antônio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antônio Francisco de Paula - Brasília / DF
  Observações: Poesia do Livro MEU AVÔ, MEU MESTRE - Poesias Gauchescas, do autor.

 
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16/11/2011 19:35:23 lorraine srsujo santos - lagoan da prata / MG - Brasil
Linda poesia!
Sítio: *****
24/09/2009 19:15:28 José Ruela da Silva - São Paulo / SP - Brasil
Muito loko! Irado!
Sítio: *****
26/05/2008 12:46:17 eduarda da cunha sabino - nova venécia / ES - Brasil
A poesia é muito linda e emocionante!
Sítio: http://www.bombachalarga.com
22/04/2008 10:59:40 Mariana Tesch - Petropolis / RJ - Brasil
Inspirou-me muito este poema, pois tenho que fazer um trabalho escolar e a minha professora pediu-me um poema sobre o Ipê Amarelo. Gostei muito desta poesia! Espero que minha professora goste!!! Obrigada! Mariana Tesch
Sítio: *****
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