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Leopoldo Rassier e os Tiarajus - XII CALIFÓRNIA:
Não podemo se entregá pros home,de F.Zanatta,F.Alves,Scherer

 

16/11/2006 12:05:10
PROEZAS DO SEBASTIÃO
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Antonio Francisco de Paula

 

Nos pagos da Caputera,

No meu querido torrão,

No bolicho do primo Job,

Numa tarde de verão,

Conheci um índio qüera

Por nome de Sebastião,

Tomando canha na guampa

Debruçado no balcão.

 

De chapéu meio tapeado

À moda beija santo,

Embretado lá num canto

Estava o Sebastião,

De bombacha bem armada

E de bota de garrão,

Ouvindo floreios de gaita,

Batendo com o pé no chão.

 

No pescoço um lenço vermelho

Trazendo a poeira da estrada,

Na cintura a velha guaiaca

Já com o tempo desbotada,

Arrastando um par de esporas

De sete dentes travados,

Enfiado num poncho velho

Com o colarinho ensebado.

 

Puxou prosa e foi falando

Que era de outro rincão,

Crioulo lá da chapada,

Da estância do tristão,

Um gaudério estradeiro,

Domador de profissão,

Criado no meio da lida,

Repassando redomão. 

 

Logo vi que o Sebastião

Era buenacho barbaridade,

Saímos um instante pra fora,

Me mostrou uma raridade,

Uma mula marchadeira

Que ele mesmo tinha domado,

Que atendia por Aliança,

De uns quatro anos de idade.

 

Nos intervalos dos tragos

O índio foi me explicando:

O capricho de um peão

Se conhece pelo apeiro,

Tem de ter arreio bom,

E dois ou três baixeiros,

Barrigueira de boa sola,

E bons loros no estribeiro.

 

Também dois pelegos grandes

De fina lã de carneiro,

Uma boa capa gaúcha

Que lhe cubra o corpo inteiro,

Na garupa enrolhado

Um laço bem maneiro,

Trançado de oito tentos

Com o couro de um mateiro.

 

Com educação e respeito

Ia pedindo permissão

Pro senhor Braz Araújo

Pra soltar seu redomão,

Que vinha meio estropeado

Pisando as pedras do chão,

Da fazenda do cruzeiro,

Das lidas de marcação. 

 

Sentado num banco baixo

Na beira de um fogo de chão,

Alegre contado causos

Na roda de chimarão,

La pelas tantas da noite

Agradecia em oração,

Armava a rede e dormia

Com a peonada no galpão.

 

Nos sábados à tardinha

Encilhava seu alazão,

Que nem peão meio teatino

Lá se ia o índio Bastião

Cavalgando sem destino,

Cortando cerração,

Campeando um baile de rancho

Pras bandas do capoeirão.

 

Vagueando pela noite,

Ao trote do redomão,

Via uma luz de candeeiro

Na beirada de um capão,

Cutucava o macho na espora

E bandeava rumo ao clarão,

Escutando resmungo no vento

De uma gaita de botão.

 

Apeava, amarrando o pingo

Lá no fundo do galpão,

E entrava a la carancho

De pala e mango na mão,

Saía dançando entonado

Mascando fumo e cuspindo no chão,

Dava umas duas voltas na sala

E já arrumava confusão.

 

Era mais ou menos assim

A vida do Sebastião.

Das proezas que ele fez

No seu tempo de peão

Hoje só restam saudade

E grande recordação,

Das boiadas e tropilhas

E das lidas de domação.

 

Sebastião Ferreira de Melo,

Vai pra ti o meu recado

Nestes versos arrebanhados

Da invernada do coração,

Numa espichada de laço

Na forma de redemoinho,

Recebe um apertado abraço,

Do teu amigo Antoninho.

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  Autor: Antônio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antônio Francisco de Paula - Brasília / DF
  Observações: Poesia do Livro MEU AVÔ, MEU MESTRE: Poesias Gauchescas, do autor.

 
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17/01/2007 10:49:26 José Valmor Oliveira
Meu amigo Antonio Agora entendi tudo bem tudo certo o porque da rede, e nesta tropeadas vc tem razão usavam redes sim, peço pra vc ler uma poesia minha que publiquei ai no site chama Pia de Estância, e me faça uma critica, porque eu estou escrevendo um livri sobre cultura gaucha aonde vou publicar umas poesias minhas e o pessoal que lê essa poesia acha ela meio ploemica talvez por falar em barranqueio mas qual o xiru que não fez. um abraço do tamanho do Rio Grande do Amigo José Valmor Meu imail. jvalmorimoveis@hotmail.com
Sítio: *****
21/12/2006 15:08:14 Antonio Francisco de Paula
Buenas amigo José Valmor,quanto a sua observação na poesia "Proezas do Sebastião",sobre a rede, informo que bem sei que a rede não se usa no Rio Grande,pois quando estava fazendo a poesia,iria usar ao inves rede,baixeiros,xergão,pelegos,poncho,capa,etc. Mas utilizei "REDE"a pedido do proprio amigo Sebastião,peão de estância desgarrado dos pogos e criado entre os estados de São Paulo e Paraná,que em suas tropeadas utilizava a rede,que segundo o proprio,que hoje campereia nos pagos do céu,preferia dormir em rede ,principalmente nas tropeiradas que fez em moço,no Estado de Mato Grosso.Abraço cinchado do amigo Toninho de Paula.Feliz natal e um venturoso ano novo.
Sítio: *****
29/11/2006 17:47:19 josé valmor moura d eoliveira
Xiru velho gostei muio da tua poesia, só vou fazer um pequeno comentário mas não me leve a mal companheiro, mas quando vç fala que o sebatião armava a rede e dormia, la na nossa querencia não existia rede, essa é do nordeste,uma sugestão pra vç que tal "estendia a carona e dormia"mas como ja falei tua poesia é muito buenacha
Sítio: http://bombachalarga.com.br
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