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Wilson Paim:
Prenda Minha, de Telmo de Lima Freitas

 

08/12/2006 23:11:27
PROCURA-SE A ALMA CRIANÇA
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Paulo Moacir Ferreira Bambil

Procura-se uma alma,
de guri/guria que foi vista,
preciso te dar uma pista,
pra conseguir o intento,
e não ficar no lamento
perdendo a estrela Dalva
e outros batendo palma.
Pela última vez estava a sós,
bem aqui dentro de nós.
Procure com muita calma!

Isso já havia muitos anos...
Pulando, rindo, linda matiz 
brinquedos velhos, e era feliz.
Os novos eram feitos de latinha
após consumidas as sardinhas
ganhavam vida de humano.
Alma de qualquer soberano,
a gurizada de alegria exultava
o caráter assim se forjava,
até se tornar um xirú veterano.

As gurias também faziam
Suas bonecas a cada ano,
de milho e outras de pano,
entretidas na terra e flexilha,
aprendiam a cuidar da família,
mistérios da vida traduziam,
até hoje elas compartilham!
guerreiras sem usar garrucha,
assim a alma feminina gaúcha.
Honradez que não esvaziam!

Alegrava-se com o palhaço.
Piada antiga pra ti era nova,
não necessitava de prova.
Até parece o tempo não anda.
Pulavam, cantavam a ciranda,
parecia não sentir cansaço.
Mesmo na chuva ou mormaço
Fazia tudo ligeiro num pé,
com a promessa de um picolé.
A vida seguia nesse compasso!

Todas as estórias contadas,
pela mãe antes de dormir,
fazia livre a alma sorrir.
Emoção não ficava contida,
mesmo com estória repetida.
As almas cresciam educadas,
por serem por seus pais amadas!
Ainda se guarda a semente.
É plantá-las em solo conveniente,
que elas serão germinadas!

Chorava ao ver o guaipeca,
roer a sua tropa de osso,
ou beber a água do poço,
da estância feita a capricho,
de gravetos e até carrapicho!
A guria vestia a sua boneca,
na estica deixando na beca,
para o baile da prenda jovem,
coisas que ainda comovem,
com plasticidade concreta!

Faziam beiço se a professora,
a colocassem de castigo.
Eram felizes com os amigos,
e com toda essa pureza,
eram exemplo com certeza,
da inocência encantadora,
de grandes figura humana.
Que não somente sonhasse,
mas que tudo se realizasse,
com moral que não engana!

Embora distante o futuro,
sabiam onde busca-lo.
Era prudente espera-lo.
Hoje onde a “alma” está?
Será que vale a pena esperar?
Será que se perdeu no escuro?
Ou está... dentro do monturo,
De perversas culturas?
Prometo ao Pai das alturas,
vou encontra-la, eu te juro!

Que rumo será que tomou?
Quem a viu e não sabia,
me dê esta grande alegria,
reviva a minha esperança,
encontrando a alma criança
de gaúchos que tu habitou,
e até hoje... conservou,
a honradez nos embate,
com retidão de caráter.
Ela ainda não se findou!

Pois, tchê, ainda que as uvas
se transformem em passas, 
a alma, o coração é que abraça.
Quando um piá ou guria criada,
não a condene a ficar parada,
transformando, flexilha em buva,
água limpa, da sanga, em turva.
Permita que ela pule corda a sós,
pra não morrer a criança em nós!
Encontre “tu’alma” saia na chuva!
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: Poesia para ser recitada preferencialmente por adolescentes. A pontuação pode ser mudada de acordo com a entonação e a preferência dos(as) declamadores(as).

 
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