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Baitaca:
No meio dos Quatro Ventos

 

19/12/2006 00:39:25
ROMANCE DE UM CAMPEIRO ERRANTE
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Já nascera na campanha,
sobre um carnal de pelego,
e, assim, desde borrego, 
arrucinando na infância,
foi se criando, à distância,
repontando a liberdade, 
vivendo a imensidade
dos campos grandes da estância.
 
Aprendera quase tudo,
sempre na lida campeira,
desde laçar, na mangueira,
um bagual para domar;
e, depois, lhe ensinar, 
numa disputa tamanha,
que o homem é quem ganha,
pois sabe ouvir e pensar.
 
Aprendeu castrar cordeiros,
depois terneiros e potros;
e até já ensinava aos outros
segredos da profissão:
fazer fogo sem tição, 
assar carne no mormaço,
ou pialar de todo laço,
nos dias de marcação.
 
E, assim, se fez índio chucro,
camperaço e destorcido,
homem guapo e conhecido 
em todo aquele rincão.
Mas, dentro do coração, 
algo sempre lhe dizia
que ele, um dia, deixaria
daquela vida de peão.
 
Trazia dentro do peito
uma vontade escondida
de mudar a sua vida, 
indo morar na cidade;
pois, na sua ingenuidade,
pensava que um campeiro,
no cotidiano povoeiro
fosse além da realidade.
 
Um dia, encilhou o zaino: 
bom preparo, bom arreio,
alçou o pingo no freio 
e se perdeu campo a fora;
do tim-tim-rim das esporas 
ficara um eco manheiro
de mais um índio campeiro,
que da querência ia embora.
 
Sumiu–se a figura alegre
daquele xiru gaudério;     
ficou guardado o mistério
daqueles que ficaram.
Dias e anos passaram,
e o quera não mais voltou;
por certo que se arrumou,
como tantos se arrumaram.
 
Talvez na cidade grande,
onde existe tanto emprego.
Mesmo quem foi do pelego
há de tirar melhor vida;
ilusão que é perseguida
e apartada da verdade,
porque ao chegar à cidade
a espera é longa e sofrida.
 
Mas foi num final de tarde,
de um dia meio chuvoso,
na hora de pedir pouso,  
como se diz pelo pago,
que surgiu um olhar vago 
da peonada que mateava:
alguém se aproximava;
talvez, rondando um amargo.
 
Depois de um buenas tardes,
com as vestes esfarrapadas,
as melenas mal tosadas,
num jeitão de mês de agosto,
trazia estampado ao rosto
a saudade do galpão;
e até mesmo o chimarrão, 
que já esquecera do gosto.
 
Ainda disse, ao chegar,
que, além de pedir pousada,
vinha de longa jornada, 
e a fome já o dominava;
e o sinuelo que buscava,
da cidade onde sonhou,
espantou–se, se apartou
da tropa que repontava.
 
Depois que a peonada alegre
reconheceu o vivente,
no seu instinto experiente
foi dizendo aos companheiros:
embora seja matreiro
o que se chama destino,
jamais será citadino
quem nasceu chucro e campeiro!
............................................................................
  Autor: Miguel Magalhães de Castro
Poesia enviada Por: Renê de Lima Costa - Alegrete / RS
  Observações: A poesia foi apresentada no 2º Pealo da Poesia, festival realizado no mês de junho, na cidade do Alegrete-RS, e pode ser declamada em Rodeios e em Eventos Tradicionalistas, em qualquer categoria.

 
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02/05/2011 19:12:57 renata - porto alegre / RS - Brasil
Mas bá, chê! Que coisa linda o q tu escreveste! É um buenacho poema. Estás de parabéns. Um abraço pra TI!
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13/09/2009 08:47:06 beloni borges dasilva - Pelotas rs / RS - Brasil
Adão campeiro, sou sua fã, não perco um programa, gosto muito de tradiçao, pois sou vacariana da terra das tradições.
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18/08/2009 20:42:29 Bombacha Larga - Brasília / DF - Brasil
Prezado Adão Campeiro. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em resposta, informamos-te que não temos conhecimento de que a poesia "Romance de um campeiro errante", de Miguel Magalhães de Castro, enviada a este sítio por Renê de Lima Costa, do Alegrete, tenha sido gravada em CD. Assim, para atendê-lo, contaremos com o apoio do próprio Renê e dos demais visitantes, no sentido de informar sobre a possível existência de gravação da referida poesia e a possibilidade de enviá-la a esse comunicador, no formato MP3. Desde já desejamos-te sorte nessa empreitada! Com as Saudações Tradicionalistas segue o nosso quebra-costelas a esse prezado Vivente!
Sítio: http://www.bombachalarga.org
18/08/2009 13:46:17 Adão Campeiro - Porto Alegre / RS - Brasil
Buenas tarde, tenho um programa de TV , TVE com cobertura em todo o Estado do Rio Grande do Sul e gostaria de ver a possibilidade de me mandar esta poesia/verso em MP3 ou um CD para nosso arquivo e possivel utilização como fundo. Meu programa é 100% nativista e gostei dos versos, deixo aberta também a possibilidade de quando vierem a Porto Alegre participarem do meu programa das 8 as 9h todos os Domingos. Também estamos na Internet pelo: www.tve.com.br on-line no horário das 8 as 9hs. de Domingo, Saudações Campeiras Adão Campeiro (51) 9677 8212 3441 2200 e-mail adaocampeiro@yahoo.com.br ou encantosdosul@tve.com.br
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14/12/2008 11:28:32 Everaldo Vieira Zezzi - Canoas / RS - Brasil
Feliz o autor Miguel, por retratar tão bem parte da história dos verdadeiros homens do campo... Leio com fundo musical Negrinho do Pastoreio, de Renato Borghetti, no meu programa CHALEIRA PRETA, aos domingos, 11:00 hs.
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25/01/2008 16:25:07 Adão Campeiro - porto Alegre / RS - Brasil
Buenas tarde, tenho um programa de radio , METRÓPOLE 1.570AM Gde. Porto Alegre, e gostaria de ver a possibilidade de me mandar esta poesia/verso em MP3 ou um CD para que possamos exibila na radio. meu programa é 100% nativista e gostei dos versos, deixo aberta também a possibilidade de quando vierem a Porto Alegre participarem ao vivo do meu programa das 8 as 10 de segunda a sexta feira, à partir de Fevereiro estaremos na Internet pelo: www.radiometropoleam.com poderão acessar ao vivo diariamente. Saudações Campeiras Adão Campeiro (51) 9677 8212 3421 1922 fone do ouvinte ao vivo.
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09/01/2007 12:10:27 José Itajaú Oleques Teixeira
Prezado Edson. Conforme o nosso colaborador Renê, lá do Alegrete, o autor da referida poesia, Miguel Magalhães de Castro, é da tua fronteiriça Quaraí Querência Querida! Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
07/01/2007 12:44:26 Edson Paim de Vargas
Esta poesia é otima,Gostaria muito que mandasse um e-mail,dizendo qual a cidade natural do autor desta poesia,que é MIGUEL MAGALHÃES DE CASTRO.Se não for pedir demais. Um abraço.Edson Paim.
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28/12/2006 20:33:51 Paulo Bambil
Mas bueno tchê!, muito bem rebuscada a tua poesia, traduz a realidade dos peões campeiros, que ficaram sob o jugo dos estancieiros... e tantos outros senhores que se adonaram do Pampa Gaúcho... Cinchado quebra-costelas de um missioneiro que ainda está gauderiando.
Sítio: http://www.ftgpc.org.br
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