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Manoel Camaquã:
Hino Tradicionalista, de Barbosa Lessa

 

29/12/2006 09:32:27
AS PONTAS DE LANÇA EM FERRO
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Paulo Moacir Ferreira Bambil

A quem lança? Tu molestou.
Defendeu o teu solo pátrio?
Ou o sangue do teu átrio?
Ou as duas ao mesmo tempo?
Qual seria o sentimento?
Aposto que ninguém indagou
A única coisa que ainda restou
Testemunha daquele sofrimento
Foram pontas carcomidas pelo tempo
E do sal do solo que te gerou.

Também sei, tu atacou sem piedade
Homens os quais a fizeram
E até nossos dias a mantiveram
Em punhos de índios baguais
Manejadas como armas mortais
Defendendo legitimidade
Tua vida, também é verdade
Te tornaste com eles bravio
Defendendo as matas e o rio
Estas são tuas propriedades.

Direitos estes mantidos?
Conseguiste ao menos ir e vir?
Pode teu rancho construir?
A quem será que tu defendia?
Com certeza não pretendia
Tornar teu futuro sofrido
Pois vivias aqui escondido
Entregue a própria sorte
Peleiava só por esporte
Pois pra ti era mui divertido.

Lanças simbolizaram o poder
Das primeiras fundições
Armando guerreiros guardiões
Também nativos pacifistas
Redução de São João Batista
Que todos passem, a saber,
Primeira redução a obter
E nessa história não erro
De lá saiu as lanças de ferro
Das batalhas que iriam vencer.

Eram sem dúvida esses lascivos
O dono da cultura e das artes
Que vinham de todas as partes
Das plagas do sul do País
Lugares onde já tinham raiz
Espanhóis Portugueses mui vivos
Usando a inteligência dos nativos
Pensando em riquezas auferir
Ensinaram os índios a esculpir
E deles se fizeram de amigos.

Formões que lhe deixaram sem alma
Escultura de santos em madeira
Que cruzaram nossa fronteira
Esvaziando nossos artistas
Em troca de ouro, prata ametistas,
Diamantes extraídos sem trauma
A cada tesouro batiam mais palma,
Em silêncio e sem guerra,
Esvaziavam o ventre da terra,
Rapinando os índios com calma.

São eles tesouros da casa
Do Patrão Velho onipresente
Que acolhe ao bom já ausente
Engenheiro do circulo da natureza
Que a fez com tanta beleza
Empecilho não encontrava
Por isso não se questionava
Se herdeiros viveriam de esmola
Pois fez o meu pampa em corola
Pilas pra viver não precisava.

Herdeiros naturais se esmolam
Envergonhados da mísera condição
Lhes roubaram a honra e o chão
Beatificando de forma descarada
Pra vender medalha santificada
Estancieiros de patacas se imolam
Toda a natureza ainda controlam
E os nobres fidalgos escultores
Transformaram-nos em vendedores
De cestos e balaios que coram.

Onde está guardada a esperança
Tímida do "Esta Terra Tem Dono" 
Onde tu estás meu Patrono?
As lanças nos levam ao passado
Das proezas de nativos honrados
Guardam-se sós as pontas de lanças, 
Guardiãs da história e lembranças
Cofre de indagações e de Sonhos, 
Daqueles tempos medonhos
Sepé Tiarajú te deixou de herança!

Algum dia alguém mais nos contará!
Talvez com outras mentiras
O que me causa muita ira
São os pseudo-tradicionalistas
Das mentes fazendo conquistas
Tu guerreiro telúrico onde está?
Por favor, venha de novo pra cá!
Curumins estão perdidos nas ruas
A pampa que um dia foi sua
Não procria, mandaram capar!
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: O autor é Missioneiro, natural de São Nicolau-RS.

 
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