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Fogo de Chão:
Mulher Gaúcha

 

14/02/2007 09:53:26
FLOR DE LIZ
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Quando o sol vai repontado

Pela lua no horizonte...

Na sombra d’um tarumã,

Me bombeiam d’outro lado

Teus olhos de picumã,

Quando a cuia,  já cevada,

Nas tuas mãos enlaçada

Vem na minha direção...

 

Esses teus lábios carnudos,

Que emolduram  teu sorriso

Fazem os meus jazerem mudos...

Abro as cancelas da mente

Num pensamento incontido,

Quando teu cheiro trigueiro

Feito flor de cortiçeira,

Me chega d’uma maneira

Confundindo meu sentido...

 

Quando estendo minha mão,

Indo ao encontro da tua,

Eu vejo o sol e a lua

Na cuia de chimarrão.

Ao toque dos nossos dedos,

Esqueço todos meus medos

E desvendo teus segredos

Ao ouvir teu coração.

 

Teus olhos falam por ti.

E ao falarem dizem coisas

Tão bonitas... Tão bonitas...

Tuas pupilas aflitas

Entreabrem-se, ligeiras,

Eu as sinto feiticeiras

Me envolvendo, sorrateiras,

Seduzindo meu olhar.

 

Mateamos enamorados...

É mais um final de tarde.

No pinheiro, em frente ao rancho,

As curucacas em alarde

Festejam a primavera

Que mal acaba de entrar,

Prenunciando ninho novo

E rebentos prá chegar.

 

Na coxilha o touro berra

E escarva a terra vermelha.

A natureza é centelha

Que acende a vida na pampa;

Roupagem nova e a estampa

De quem vestiu-se prá festa,

Os grilos afinam o canto

Prá o início da seresta.

 

O meu instinto de fêmea

Faz sentir-se em teu olfato,

E o teu instinto despertas

Quando as mãos fazem contato,

Se demorando no enlace

Da cuia, no vai-e-vem,

Aquecendo-se também

Do calor que sobe à face.

 

Então me declaro tua,

Chinoca –Mulher gaúcha!

Confidente e companheira,

Amante, esposa, parceira,

Disposta a trazer ao mundo

Teus herdeiros deste trono,

Pois és meu homem... Meu dono,

Nosso amor não tem fronteira.

 

No teu corpo Flor de Liz ,

Feito potro redomão

Me boleio sem destino...

Uma cama de campanha,

Candeeiro lusco fusco...

Silhuetas estampadas,

Ganham vida espelhadas

Na parede do galpão...

 

Meu sonho, feito semente,

Fez estufa do teu ventre,

Dando formato de mundo

(Foi minguate e foi crescente)

No fruto que gera agora.

Traz ânseios pros meus dias,

Vida nova neste rancho

E mais luz na minha aurora.

 

Seguiremos, vida afora,

Felizes nesta jornada...

Um grito de quero-quero,

Apregoa ao quatro ventos

Desde o campo até a cidade,

Que nosso amor,  é verdade,

E há de ficar por herança,

Neste fruto que é certeza

D'um nova realidade!!!

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  Autor: Marin Hoffmann e Sebastião Teixeira Correa
Poesia enviada Por: João Antonio Marin Hoffmann - São João do Ouro / RS
  Observações: Poesia classificada em 3º Lugar na Tropeada do Verso Sulino – 2º Ronda – de Forqueta - RS. "Em um desses momentos do chimarreio, surgiu o esqueleto da FLOR DE LIZ, que foi complementada pelo amigo e poeta SEBASTIAO TEIXEIRA CORREA...; um momento de recuerdos e sonhos...". ATENÇÃO: a poesia foi interpretada pela dupla de declamadores CARLOS e ANDREA WEBER. Portanto, como fica demonstrado no sentido do texto, a poesia deve ser recitada por um homem e uma mulher, em virtude da existência do diálogo entre peão e prenda.

 
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