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Baitaca:
No meio dos Quatro Ventos

 

17/02/2007 10:04:27
RECULUTA DE VERSOS
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Matear ao pé do fogo divaga nossos pensares,
É nestas horas que a gente dá asas pro pensamento…
 
O meu, engarupou-se no vento, q’adentrou pelo meu rancho.
Liberto, ganhou o mundo com uma finalidade,
Reculutar versos tantos prá formar m’a manada… 
Foi assim, quase num upa, nem sequer se despediu.
Lembro a mala de garupa, num resto desta visão,
Poeira tapando a estrada, e a batida d’um portão. . 
 
Apartados num piquete, da mangueira de papel,
Vou fazer a seleção dos velhos, xucros, ventenas…
Faço, da caneta o meu ginete, dando jeito nos ”veneta”,
Pensamento feito esporas, falquejo aqueles mais xucros…
Os mais velhos, já polidos, serão padrinhos do tema,
Desta tropilha de versos, q’eu hei de chamar poema…
 
Pôr de sol, e fim de tarde, chega a lua pro seu turno.
Feito duas sentinelas, cambiando a guarda na estância,
Fizeram-se meus parceiros, compartilhando esta ânsia…
Passaram horas, os dias, também passaram-se meses,
Até me “olvido” se as vezes foi uma ou mais invernias…
 
Fiquei assim, chimarreando nos fins de dias, infindos,
Até que um dia, sorrindo, se achegou sem muito alarde,
Retornou prá sua essência, numa calada de tarde…
Polegadas de sorriso, que não se cabe entre orelha,
E, uma mala de garupa, qual fase de lua, ( CHEIA )…
 
Contou-me tudo o que viu e “cousas” que não quisera:
Vi ranchos feitos tapera, rios bebendo pesticidas,
O campo já revoltado pelo arado da agroindústria,
Olhares de pura angustia fotografando a verdade…
Engordando as romarias, de esperanças alijadas, 
(Se equilibra no vazio, peão rumando prá o nada…)
 
Vi ranchos enfileirados d’outro lado do aramado,
Esperando seu bocado d’uma terra prometida…
 
Ouvi lamúrios de piás, num fundo de beco, escuro, 
Sonho de pai resumido num rancho de papelão,
E o choro parido, sêco, num desespero de mãe,
Desejo de dizer sim, mas a língua trai num ( NÃO )… 
 
Vi comício a bola pé, candidatos discursando,
E a mentira atropelando ideais de boa fé…
Quem dera todas as falas viessem a ser cumpridas,
E os candidatos fizessem valer a velha premissa:
Mais vale uma boa ação, que a palavra proferida…
 
Cheguei a me perguntar se aquilo seria sina,
Numa diferença bruta, que eu vi pelas favelas,
Onde ruelas teatinas, fazem vezes de latrina,
Num esgoto a céu aberto, crianças chafurdam lodo,
E um povo sem instrução, acaba achando normal,
Pois nem sequer tem ciência, d’um tal programa social…
 
Vi, na alta sociedade, o homem saciar angústias,
Numa carreira assistida d’um modo bem diferente:
Não carece partidor, linha de chegada? Qual… 
Onde as raias, numa mesa, alinhavam potros brancos,
Distribuídos em fileiras sobre o tampo de cristal !!!
 
Vi a natureza em protesto, gritando na voz dos bichos,
E o farfalhar do arvoredo, quase mudo, agonizando,
Pois, ronco de moto-serra jaz os mesmos, propiciando,
Que a conta de uns e outros vá aos poucos engordando. . .
 
Mas nem tudo foi tristeza. Colhi na volta a certeza
Das sementes bem plantadas. Mãos amigas me alcançando
Um mate quente a preceito e um carreteiro à campeira,
Cozido daquele jeito…
 
Agora com seu permisso, preciso rever encilhas,
Guarnecer, lá no bolicho, minha mala de garupa,
Pois, ganho a estrada num upa, tão logo espreguice o sol.
 
Vou, dar de beber pr’essa tropa: esperança, novos dias…
Vou transformá-la num ato, onde vozes fazem vezes,
São bem mais q’um simples fato, mais que palavras vazias…
Semeadas das tribunas deixam de ser utopias,
Prá se tornarem então, sementes de opinião 
Nos recitais de poesias…
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  Autor: João Antonio Marin Hoffmann
Poesia enviada Por: João Antonio Marin Hoffmann - São José do Ouro / RS
  Observações: RECULUTA DE VERSOS, por si só, resume uma condição social que e reflexo de um certo progresso, mais cedo ou mais tarde, virá cobrar o seu preço. Enquanto isso nao acontece RECULUTA DE VERSOS, como outros tantos, tenta gritar das tribunas dos FESTIVAIS, para acordar os nossos governantes para essa realidade... O RECULUTA foi classificado em TERCEIRO LUGAR NA SEGUNDA QUERÊNCIA DA POESIA XUCRA DE CAXIAS DO SUL-RS.

 
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30/01/2008 17:45:54 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
Prezado Xiru Rui Ferreira dos Santos. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e o comentário postado neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Com o fim de atender a tua solicitação, pedimos a gentileza desse vivente mandar um chasque a este sítio por meio da opção Fale Conosco, do Menu de Opções. Com as Saudações Tradicionalistas segue o nosso quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
29/01/2008 16:56:18 Rui Ferreira dos Santos - Caxias do Sul / RS - Brasil
Conheço esses versos e me parece que foram feitos em parceria com outro taura de São José do Ouro, também minha cidade de origem. Um tal de Sebastião Correa Teixeira, citado em prosa e verso em todos os recantos deste Rio Grande. A propósito, quando estive na minha terra tentei criar o "primeiro encontrato informal de declamadores e amantes da poesia xucra" - a própria tentativa foi informal e num repente, sem prévio-aviso. Até andei pelo rancho do poeta Marin, que no momento se encontrava em Caxias do Sul, por coincidência, de certo falquejando outros versos na companhia sempre bárbara do Sebastião. Então, o tal do primeiro encontro informação de declaradores "ergueu a clina e se foi". Mas não nos entregamos assim, sem pelear, pois que juntamos um punhado de gente, num galpão campeiro que fiz só pra esse tipo de lide, um que outro declamador, e lascamos uns versos pra não perder o entono. Quanto ao teor do poema, tenho que está entre os melhores versos já talhados neste Rio Grande velho de Deus. Quisera eu tivesse esse traquejo no manejo dessa arte, privilégio de poucos Marins e Sebastiões. Um abraço. PS.: preciso do e-mail do Marin. RUI FERREIRA DOS SANTOS, Caxias do Sul/São José do Ouro, seu criado para serviços leves.
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