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Jayme Caetano Braun:
Negrinho do Pastoreio

 

19/04/2007 09:13:01
PARA QUE O POTRO VIVA PARA ESCARVAR A TERRA
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<img src='/images/Bambil.jpg' >

Paulo Moacir Ferreira Bambil

 
Vi o potro escarvando terra
Remeto-me ao passado
Antanho vivo revirado
Daqueles poços de sabedoria
Nos idos tempos já sabia
O futuro da humanidade
Hoje estamos na orfandade
O mundo pensa em guerra
Ecossistema é o que berra
Sem mata, rio... É só cidade!
 
Vi potrilho no mesmo intento
Já nascendo com pedigree
Puro sangue criado aqui 
Faceiro com sua matriz
Este sim ainda é feliz
Não sabe do seu futuro
Tudo tem em quatro muro
Alvissareiro e pacholento
Acarinhado a todo o momento
Sem precisar disputar enduro!
 
Vi o flete... Marchando lento
Com garras tudo de luxo
Carregando um gaúcho
Ostentando medalha de ouro
Engalanado com seu tesouro
Pois era esse nobre Patrão
O proprietário do campeão
Afinal... Trabalhou a contento
É o que tinha no pensamento
Por tanto... Sem ser o vilão!
 
Vi um redomão corcoveando
Escondendo o toso nas patas
E o ginete... Falando bravatas
Confiante no seu ofício
Sem medir sacrifício
Ia esporeando suas chilenas
O vento soprava as melenas
Numa dança rodopiando
E a batuta era o seu mango
Espetáculo pra loiras e morenas
 
Vi carreira em cancha reta
E o coimero estendendo o pala
Meio dentro de uma vala
Pra mode o vento não extraviar
Os pilas de quem ia apostar
Pastel, licor, canha e gasosa,
Pra misturar com a prosa
Daquela festa de gente seleta
Até que o partidor se completa
Emparelhando uma égua fogosa.
 
Vi a gurizada repontando bois
A tropa toda feita de osso
Juntados com o endosso
Da peonada da fazenda
Quando comiam merenda
Do chico-suelo das reses
O piazedo eram fregueses.
Sobrava quase sempre dois
Acolheravam outros depois
Observei-os muitas vezes!
 
Vi a velha china Ramona
Pegando água da nascente
Dando inveja a toda gente
Daquele gesto costumeiro
Água pura pro carreteiro
Mesmo com a estiagem
Não precisava de filtragem
Colocava-a na cambona
Com seu jeito de mandona
Ralhando com a criadagem.
 
Vi também aquela indiada
Quando andavam debalde
Bebendo a água do balde
Tirado de um poço antigo
Ofereciam-na aos amigos
Sem preocupação da matéria
Pois nela não havia bactéria
Não conheciam esta danada
Nem nos causos da peonada
Dantes não havia miséria!
 
Vi a saúde daquela raça
Doutor... Só pra nó na tripa
Situação em que complica
A mais antiga sabedoria
Assim mesmo se defendia
Tomando um chá de losna
Tanchagem é outra prosa.
E enquanto a dor não passa
Bebia-se uma cachaça,
Vinho... ou outra gosma!
 
Vi aquela gauchada no povo
Só nos dias de domingo.
Os índios encilhavam o pingo
Enquanto sol ainda aparecia
Ficavam rondando as gurias.
Durante os dias da semana,
Estavam em cima da badana
Campereando sem retovo,
Esperando um mundo novo
Num tranquito de cordeona!
 
Entre essas e outras que vi
Não posso ficar calado
Preciso ser perdoado
Quando me for pro além
Espero... que tu também
Seja um profeta do amanhã
A liberdade é nossa irmã
Como canto do bem-te-vi
Pois não estaremos aqui
Provando o veneno da maçã!
 
Por tudo isso... Eu te peço!
Homens sejam inteligentes
Não semeiem as sementes
Da destruição da humanidade
Vejo hoje... Só barbaridade
Amontoaram pedras no campo
Olho arranha-céus e fico tonto 
Chamam isto de progresso
Parece que estão possessos
Coisas que eu me espanto!
 
Já que a sociedade é eclética
Quero ver comer cimento,
Ferro, aço, pneus e fomento,
Da indústria de motores...
Consciência! meus senhores
Somos bárbaros faraônicos
Morreremos no gás carbônico
Poderemos conhecer a técnica
Viaje no browse da cibernética
Use motor do meio eletrônico!
 
Por favor! Voltem às origens
Preservem a nossa natureza
Entendam ela com clareza
Conservem os rios e as matas
Ecossistema não se maltrata.
Hoje! Amigo, te confesso...
Não sei pra que o progresso
O jeito que o Doutor impinge 
Vamos só comer fuligem
Nem a água teremos acesso!
 
Os donos do mundo a fora
Estão pensando em si mesmo
Chasqueiam discurso a esmo
Falam na camada de ozônio
Como donos do patrimônio.
Tchê! Vou te fazer um assédio
É tu parar de construir prédio
Diminua o povo desde agora
Calem os motores sem demora
E a vida dos potros terá remédio! 
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
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