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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

10/05/2007 20:24:05
O PEALO DO TREM
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Paulo Moacir Ferreira Bambil
 
Muito longe do povoado
Um xiru vivia recolhido
Em novo era atrevido
Mas de transporte moderno
Só viu as figuras no caderno
E o seu cuiudo tostado
Que ganhara do cunhado
Pra carga tinha a carreta
Mas tinha um trem sotreta
Que lhe deixou apoquentado
 
O bicho passava distante
E sempre na mesma hora
Ia gritando a campo fora
Fazendo barbaridade
O vivente sem maldade
Na armada muito confiante
Em tiro de laço se garante
Brabo fazendo desdém
Resolveu laçar o trem
E acabar com o afronte
 
Então pensou e disse
Lá na curva o laço espicho
Se eu não laçar este bicho
Quero ser burro de olaria
Ou capado sem serventia
E pra que o pealo saísse
Confiante nessa crendice
Ajeitou bem a armada
As rodilhas bem contadas
Eu queria que tu visse
 
Segurou firmezito o cavalo,
Pro tal bicho não escapar
Indo pro campo lhe rondar
No cuiudo deu-lhe buçal 
Hora do passo do animal
Meu amigo eu te falo
Acertou bem o pealo
E quando a argola tiniu
Deu um tranco que zuniu
Arrastando ele e o cavalo
 
Num desespero sem trégua
Gritando trilho a fora
Me salve Nossa Senhora!
Que o bicho quer me matar
Não consigo nem rezar
Arrastado mais de légua
Até pechar numa égua
Arrebentando o sovéu
Benção vinda lá do céu
Medida em cima da régua
 
O feito ficou em segredo
Mas recuperado do tombo
Cicatrizes em todo lombo
Entrou na bodega do Bastião
Quando viu sobre o balcão
Um trenzinho de brinquedo
No gatilho apertou o dedo
Fazendo o trinta falar
Mirou bem pra não errar
E deu seis tiros sem medo
 
Foi aquela gritaria
Crianças e velho correndo
Ninguém estava entendendo
O porquê daquela proeza
Sentou-se faceiro á mesa
E com toda galhardia
Relatou o que sucedia
Estava vivo na memória
Aquela triste história
Do bicho que conhecia
 
Quando a milicada chegou
Explicou que aquele bichinho
Se mata em pequenininho
Porque depois fica atrevido
Com o rabo bem comprido
Até meus moirões derrubou
A prova é o rastro que ficou
Isso nem bagual xucro segura
Disse o qüera com bravura
Olhe pras feridas que ficou!
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: A poesia foi feita, conforme o autor, por ordem da Patroa do CTG Jayme Caetano Braun, de Brasília-DF, Dona Jesus.

 
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